terça-feira, 27 de setembro de 2016

VITORIOSA


Descendo a Getúlio Vargas,
Ali na altura da Glacial
Vi uma pedra estranha 
No chão, lá longe...
Continuei caminhando
Olhando alucinada aquela pedra
Se alguém tentasse pegá-la eu correria,
Gritando É MINHAAAA, É MINHA
Mas ninguém a viu.
Só eu.
Afortunada.
Me aproximei.
Parecia um pedaço de kriptonita.
Mas logo percebi a realidade nua e crua:
ERA UM PEDAÇO DA LUA.
Muita sorte para uma garota como eu!
Olhei ao redor e antes que alguém notasse
Peguei a pedra.
Entrei numa loja e pedi pra usar o banheiro.
A respiração ofegante.
A moça me mostrou uma portinha horrorosa nos fundos da loja.
Entrei.
Senti cheiro de água sanitária.
Tirei a pedra da bolsa.
"Um pedaço da Lua, Enedina! Só você mesma..."
Tirei a blusa, abri com os dedos a pele e afastando músculos e ossos vi o buraco que você deixou quando me arrancou o coração.
Depositei a pedra de Lua naquele espaço.
Reorganizei tudo dentro de mim.
Fui tomada por uma forte onde de frio e depois de calor,
Meus olhos arderam e senti calafrios da espinha até a nuca.
Choques elétricos percorreram meus nervos.
Mas eu não gritei.
Eu calei.
Eu esperei aquele torpor passar.
E quando eu saí da loja, estava tudo normal.
Mas eu não estava mais morta.
Eu havia renascido!
E até hoje quando passo na Getúlio Vargas
Lembro daquele dia 6,
Em que tive numa nova chance
E agarrei.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

E as Olimpíadas acabaram...





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Aqui no Brasil nós aprendemos desde cedo a cair e levantar. A cada queda, as lágrimas rolam e nós aprendemos a secá-las e seguir em frente. Nós simplesmente sorrimos mesmo com o coração repleto de tristezas e nos comovemos com um gatinho miando abandonado ou uma criança ferida na guerra. Nesses meus 30 e alguns anos de estrada posso dizer que já vi muita coisa. Sempre sonhei em ser jornalista e minha brincadeira de criança era ser âncora do Jornal Hoje. Eu não queria trabalhar no Jornal Nacional por que sempre quis dedicar as noites aos meus futuros filhos (uma premonição da minha vida atual, rs). Eu sempre assisti muito jornal. E me acostumei a ler a Folha e o Estadão além dos jornais da minha cidade. Informação sempre me mobilizou. E o que isso tem a ver com as Olimpíadas? Tem que ali, quando eu era aquela menininha sonhadora, eu de alguma forma “SABIA” (não sei explicar direito) que esse tempo chegaria. No meu Jornalzinho eu sempre dava as notícias de modo descontraído, meio que “conversando” com os telespectadores. Hoje nessas transmissões você e eu não simplesmente ASSISTIMOS as Olimpíadas do Rio. Nós vivemos, nós participamos, nós discutimos e opinamos, e misturamos todas as emoções e impressões num liquidificador de pensamentos e INFORMAÇÕES. 
Resultado de imagemForam as Olimpíadas da tecnologia da informação. Em tempo real, nós víamos e comentávamos com amigos e familiares espalhados pelo planeta como se pegasse a sua e a minha criança interior (que nunca devemos deixar morrer) e sentamos lado a lado no mesmo sofá. Viver essas Olimpíadas foi uma experiência ESPIRITUAL. Não bastava somente receber as imagens da tela da tv para os olhos. Tivemos a oportunidade de bater as imagens e as vozes e músicas e devolver via Redes Sociais (twitter e facebook principalmente) as nossas próprias opiniões sobre tudo o que nos era entregue. Nunca antes, nem na Copa isso foi tão intenso. As tretas já começaram desde a chegada da Tocha. Amores e ódios foram despejados no web-caldeirão  e todos expressaram seus pontos de vista. Houve quem dissesse que não queria que as Olimpíadas acontecessem, sugerindo boicotes e até que a chama fosse apagada, que triste pensamento! E houve quem vibrasse e se emocionasse. Aqueles que foram sempre otimistas, sempre positivos e é a esses que eu gostaria de me unir numa corrente de gratidão pelo sucesso que foi. Mesmo que muitos ainda insistam em focar no que deu errado, eu fico com aqueles que focam na beleza, no espetáculo e no esplendor que começou no passeio da tocha, seguiu brilhando na Cerimônia de Abertura e explodiu em luzes, cores e emoção de um Encerramento envolvente e inesquecível.


Ao ver aquela chuva, apagando o fogo da Pira (linda, diga-se de passagem) eu senti um alívio por que não houve atentado terrorista, não foi um fracasso, não teve boicote, não pagamos mico internacional como tantos brasileiros fizeram questão de zicar. Tivemos tantos novos heróis do nosso esporte, jovens e desconhecidos que agora são nossos queridos atletas de ouro. Consagramos nossos times de voley e futebol, apesar de eu ter visto gente acordar no sábado já “decretando” o fracasso da nossa Seleção que estaria enfrentando a Alemanha. O que azedou foi a torcida contra, pois ganhamos o Ouro e foi lindo de ver. Foi de arrepiar.
Mico pagou o nadador americano Ryan Lochte achando que aqui era terra de ninguém. Mico pagou o menino Neymar que xingou a torcida com a faixa de Jesus na cabeça. Mico pagou o Galvão tratando convidados mal e a Glória Maria, trocando as boas geral durante os comentários (Praia de Itapuã virou Praia de Itaipu rsrsrs). Mico pagou a dupla faísca e fumaça Cris Dias e Waack “causando” com suas DRs noturnas. Mico pagou quem não se entregou, não viveu, não torceu, não curtiu e não amou. Isso é que é mico: ter o mundo olhando pra gente e se negar a esse olhar, se fechar, desperdiçar o amor. O Rio, não. O Rio só brilhou, seduziu, encantou, apaixonou e laçou o coração do mundo com charme e simpatia.

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Deu aquele vazio? Deu. Deixou uma sensação de estarmos órfãos? Sim. Queríamos mais noites de viradão, torcendo e sofrendo? Claro. Amamos as novidades como o DESAFIO que tira dúvidas dos pontos ao som da música do Darth Vader (que idéia sensacional!). Amamos a interação, os "chush-olímpicos", as histórias de superação e toda a simbologia que foi pensada nos mínimo detalhes para tocar no coração da gente. E se os antigos diziam que o bom da festa é esperar por ela, as Olimpíadas do Rio criaram uma nova realidade, uma nova linha de pensamento: O bom da festa é relembrar o que vivemos nela. 

E que venham as Paraolimpíadas Rio 2016. Aí você vai ver o que é emoção e superação, brother...


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Caso João (vulgo Bebeto)

João saiu pra comprar uma carteira de cigarros Minister. Foi visto chegando de Belina azul celeste no Bar Katkero. Pediu uma Mirinda mas quando a Carmem Doida chegou, visivelmente alterada, ele saiu rapidamente deixando vinte cruzeiros sobre a mesa e a Mirinda pela metade. Depois disso ninguém teve mais notícias dele. Seu nome era João mas todo mundo só o chamava de Bebeto o que dificultava o trabalho da Polícia na época.


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

E as Olimpíadas chegaram!


Papai foi um solteirão convicto até seus 50 e poucos anos. 

Até ele se reproduzir e ter seus filhos homens, meus irmãos, Leandro e Ricardo ele treinou muito a arte de ser pai comigo, Enedina. Por que o papai me levava pra todos os lugares com ele. Banhos no Rio Negro na Praia da Ponta Negra, Festa de Fim de Ano da empresa (ele trabalhou mais de 30 anos no Porto de Manaus e lá se aposentou), jogo de futebol, briga de galo que eu odiava e chamava os amigos dele de assassinos e ele passava uma semana brigando comigo, Circo Garcia, Chegada do Papai Noel e do Coelhinho da Páscoa, aonde estivesse o Zé do Galo, lá estava a filha dele, Enedina. Os mais velhos lembrarão... E foi ele que me ensinou a AMAR ESPORTE. Acordava de madrugada pra assistir Box na TV, acompanhava com ele as Copas do mundo e Mundial de Vôlei, assistia com ele as Corridas de Fórmula 1, e claro as Olimpíadas. Papai me ensinou a andar de bicicleta no Boulevard (ou seja eu sou uma das precursoras da atual ciclovia ahahahaha...) e me botou na natação, vôlei, jazz e com a loucura que poucos pais têm na vida, me fez um trapézio no jambeiro do nosso quintal. Mamãe ficava com o coração na boca me vendo voar no trapézio e eu era doida, adorava fazer as manobras mais perigosas como ficar segura só com uma mão e um pé, pra ver seu desespero, gritando: "Desce daí Enedina, péralá que tu vais já descer..." e entrava pra buscar o cinturão preto do papai (parte chata da infância rsrsrs...). 

Enfim, papai foi esportista e me incentivou a praticar e amar o mundo do esporte. E quando eu era, nos anos 80, uma garotinha sonhadora e cheia de perguntas sobre a vida, o universo e o futuro umas das perguntas mais frequentes que eu fazia era: "PAI, SERÁ QUE UM DIA VAI TER OLIMPÍADAS AQUI NO BRASIL?"

Dentro desse cenário, desse histórico, dessa introdução, agora, conhecendo um pouco das minhas raízes será que você, caro leitor, consegue entender como esse momento é especial pra mim? Eu estou simplesmente amaaaaaaaaaaando esse evento. Estou pulando de alegria, minha criança interior está realizando um sonho. O que eu achava que tinha poucas chances de acontecer, JÁ ESTÁ acontecendo. Aquela dúvida antiga "será que eu vou estar VIVA quando as Olimpíadas forem aqui no Brasil?" agora já tem resposta: SIM, estou aqui pra ver esse acontecimento. E o meu Pai Zé também está firme e forte e vai assistir a todos as transmissões, posso apostar. GOD is GOOD!

Quando eu era criança também na época que o Cometa Haley passou, eu me perguntei: 
- Será que estarei viva quando ele passar de novo? Bem velhinha coroca...? Essa pergunta eu ainda não tenho a resposta.
Mas te digo. Se viva estiver, vou escrever um texto sobre isso. I promiss!


Por enquanto, como diria meu amigo Roberto Carlos, deixa eu aqui, vivendo esse momento lindo. Quero aproveitar cada cena da abertura, vou chorar muito na festa de abertura, por que eu sou dessas, e eu posso, tá?! rsrsrs...

Vou fazer pipoca, tira-gosto, finger-foods diversas, vou cantar, aliás deixa eu te contar uma coisa: eu-mal-pos-so-es-pe-rar pra ver o que OS ARTISTAS DE PARINTINS prepararam pra esse Show de Abertura (tem amazonense trabalhando nas alegorias), quero ver Caetano e Anitta, quero me embriagar com cada luz, cor, cada minuto desse espetáculo, rezar e torcer muito pra não ter terrorismo, não ter pessimismo, não ter ódio, nem violência, nem mortes, nem NADA DE RUIM que (como já li muito do facebook) faça essas Olimpíadas serem "um fracasso". Não, de jeito nenhum. Não será um fracasso. Será lindo, será um sucesso, será tudo de melhor que pudermos realizar, dentro das nossas limitações e apesar dos problemas que o nosso País enfrenta e ainda vai ter que batalhar muito para superar, eu espero, do fundo do meu coração que as Olimpíadas do Rio sejam MARAVILHOSAS e que tenhamos nos olhos lágrimas de saudades, quando esse momento passar.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

O primeiro ano

Há um ano, tudo mudou
Deusa Hera o meu mundo abençoou
Meus olhos pousaram nos teus
E os teus lábios aportaram nos meus.

Nossas mãos repousaram juntas
E os corações afinaram seus compassos
Nossos pés agora combinam passos
E nos levam, um aonde o outro está.

Nossa alegria agora consiste em perto estar.
Nosso jardim de anseios agora floresce
Como constante e bela primavera
Cuidada pela própria deusa Ceres!

Nunca antes Rei Sol havia assim brilhado
E o Céu a noite nunca foi mais estrelado
E a Alvorada nunca se mostrou mais clara
E o Ocaso nunca antes assim encantado!

Há um ano eu sentei-me ao lado teu
E o que dizias para mim soou tão bom
Como uma música que nunca perde o tom
Como quem chega pra nunca dizer adeus!

sexta-feira, 1 de julho de 2016

DELAY

Um céu nubladinho, 
um vento fresquinho,
Eu na janela pensando 
Nos mistérios insondáveis 
Do universo 
Quem somos 
De onde viemos 
Pra onde vamos 
Olhando um poste 
Me pergunto o que era
Aquela fumaça preta 
Do LOST.....

sexta-feira, 17 de junho de 2016

A HÓSPEDE

A poesia em mim chove e alaga
A poesia entra pela janela e escorre pelas paredes
A poesia inunda minha casa
A poesia escapa entre os meus dedos

Aqui a poesia entra, senta e toma um café
A poesia corre pela sala e fala alto
Aqui a poesia me desafia dia e noite
Implica comigo, me insulta e esnoba.

Depois a poesia flui gentilmente
Chega perto mansinha, mas atrevida,
Pulsando, vibrando, explodindo
E deita-se, sedutora, numa folha de caderno. Nasce!

Então ela sai correndo, afoita, atrapalhada
Derrubando meus livros por toda a casa
A poesia é uma febre louca que dá e passa, sem explicação;

E me deixa aqui, esperando, sua próxima aparição.




quinta-feira, 16 de junho de 2016

SOBRE AS FRALDAS



Percebi que era um fato quando passamos na frente da farmácia e não deu aquele alerta: “Atenção, tem promoção de fralda!”

Naquele momento eu me dei conta de que o Domenico não era mais um bebê. O costume de correr para aproveitar a promoção de fraldas era aliado a sempre comprar um carrinho hot wheels de presente pra ele (o que tornava sempre aquele momento divertido e feliz), isso fazia parte do passado há um mês! 

E foi tão rápido que ele absorveu a idéia de largar as fraldas que até me espantei. 
Basicamente o que fizemos foi: numa noite assistimos a todos os vídeos infantis do youtube com ele sobre o tema Hora de tirar as fraldas e usar o vaso. Musiquinhas em vários idiomas, mas com o mesmo tema onde ele captou a essência da coisa. Nos 3 dias seguintes, seguimos a dica de uma psicóloga que foi na Fátima* e ensinou que para a criança esquecer as fraldas tinha que parar de usar. Exatamente isso. Deixar a criança peladinha mesmo! E não é que funcionou? E muito bem. Rapidamente ele entendeu que tinha que ir ao banheiro, avisar aos pais e irmãos que precisava ir. E desse modo, simples, sem briga, sem bater, sem pressionar, sem gritos nem traumas em 1 SEMANA ele se libertou das fraldas descartáveis. Bom pro nosso bolso, orgulho pelo crescimento do nosso baby, mas confesso que senti os olhos marejando quando passei na frente da farmácia, que era nossa parada obrigatória, e passar direto. 
E mais uma vez eu, mãe, transpondo esses rituais de passagem. Coisas que eu já vivi com Lorenzo e Letizia, mas que ainda assim me emocionam. São ciclos que se fecham. É o tempo passando e a vida gritando: “Aproveite cada momento!”
Eu seguro o choro. 
Respiro fundo e penso:

- Estou aproveitando, Dona Vida. Estou aproveitando. - enquanto vejo, pela janela do carro, a farmácia ficar para trás...

*Programa Encontro com Fátima Bernardes

quarta-feira, 1 de junho de 2016

A DEFENESTRADA


Eu fiquei na torre mais alta
Por mil dias e mil noites
Testemunhando o nascer
E o pôr-do-sol
Mas tu não vieste.

Minhas longas e negras tranças
Penderam ao chão
Esperançosas!
E tu não vinhas...
E tu não chegavas...

Cortei eu mesma as tranças
Com a velha tesoura da gaveta
Pra fazer justiça poética
Queimei as fotos, as cartas, as tranças
Queimei tudo no chão do quarto.

Pra fazer maldade poética
Saltei janela afora
O precipício
Chovi.
Caí como gota cinza e gelada
Noite escura.
Um pesadelo
Dancei sozinha, no éter.
Eu tinha
Lábios azuis e olhos vermelhos
Todos  planetas girando ao meu redor
Transitando.

Pisei em flores caídas ao chão
Pousei.
Coloquei meu coração petrificado
Num vidro com formol
E o coloquei sobre o teu piano
Na tua sala de música
Ao lado das partituras.

Subi as escadas
Enquanto dormias, eu te olhava.
Vaguei algumas horas, ou teriam sido semanas?
Ninguém saberá dizer...
Assombrei e fui assombrada
Depois cansei de vagar
Devagar meus olhos fecharam
Agora sou apenas mais uma pedra
Rolando rio abaixo, sigo assim.
E você não sabe nada,
Você não sabe nada sobre mim.



Silenciosa

Minha carne está na íntegra queimando
E por meus pensamentos muitos me hão de condenar
Mas nada há em minha conduta evidenciando
O fogo que arde em mim ao te ver passar.

Pouco me importam tais julgamentos
Porquanto a inocência não seja prerrogativa
Quero roubar-te ao castelo comigo
E te queimar na chama que a meu ser cativa.


terça-feira, 31 de maio de 2016

Onipotência


O que sai de mim não é exato.
O que sai de mim não tem formato.
O que sai de mim não tem medida.
O que sai de mim não tem saída.
O que eu penso não cabe em uma folha.
O que eu bebo não se fecha com rolha.
O que eu sinto não pode ser contido.
O que eu gesto não pode ser parido.
O que eu desejo é fruto proibido.
O que eu faço não deve nem ser visto.
O que eu temo é o fundo do poço.
O que eu chupo é a fruta e o caroço.
Eu sou a dúvida que te revira o sono.
E sou a dor que pulsa grave no teu peito.
Eu sou a ninfa doce que surge no teu sonho.
E a fêmea violenta que incendeia o teu leito.
Sou a saudade de tudo o que não viveste.
Sou a lembrança de onde não pudeste ir.
Eu sou o prêmio que tu não mereceste.
Sou a tua morte e te ceifarei no fim.



Marginal


Quando vires a chuva forte,
Quando sentires ventos destruidores,
Quando raios partirem o céu,
Prepare-se, estou chegando.

Sou forte e faço o que quero.
Quando quero, posso.
E se não posso, me rebelo.
E se me rebelo, venço.

Não conheço a palavra não,
Não entendo decepção,
Sou firme, não perco nunca,
A vida me cai como uma luva. 

Se choro, saio pra chuva,
Se grito, subo à montanha,
Se mato, fujo e me escondo,
Se amo, eu te procuro.


Soberba



Eu não vou fazer poemas com régua e compasso, 

Nem usar bússola, trena ou calculadora, 

Eu nunca quis um manual de passo-a-passo 

Posto que minha alma vaga livre e sonhadora. 

Quando eu leio, eu não disseco a poesia, 

Como cadáver sobre a pedra estudado 

A minha arte é cara e fina prataria 

E por meros fingidores não será menosprezada. 

Eu me recuso a pôr espartilhos nos versos 

Pra que o formato agrade a gregos e troianos 

Eu prefiro perambular por becos incertos 

Do que seguir mapa riscado por mestres profanos. 

Minha pena não escreverá uma frase sequer 

Para atender as expectativas alheias 

Eu uso de minha liberdade de mulher 

Para construir fio a fio minhas próprias teias. 



Queixa


Eu não escrevo como quem faz joguete com palavras
A minha inspiração não vem com regras nem amarras
Eu não faço poemas pra te explicar nem te perturbar
Os versos que crio são rios de sangue e lágrima

Não pense que espero ser lida e compreendida
Não tenho mesmo essa indigesta pretensão
Quando te aproximares de algum dos meus poemas
Toma-o como granada a explodir-te as duas mãos.